Dia desses estava mexendo em meu armário de bagunças, todo mundo tem um e sabe como é. No meu caso não é bem um armário é uma sapateira daquelas acopladas com a cômoda. Uma sapateira frustrada coitada, nunca chegou a guardar um sapato. Encontrei muita coisa: uns papéis velhos que já não fazem o menor sentido, meu histórico escolar pra jogar sempre na minha cara o quanto sou ruim em exatas, alguns livros que não faço ideia mais de quem são e elas, minhas sapatilhas de ponta da época do balé.
Toda vez que reencontro minhas sapatilhas fico namorando-as. Coloco nos pés, arrisco uns passinhos (não aconselho ninguém a fazer isso em casa) e até dou uma passeadinha pela casa "Olha que que eu achei, mãe. Que saudade". Estão velhinhas e sujas, sapatilhas de balé quanto mais velhas mais bonitas porque significa que foram muito usadas. Usei há uns 6 anos, depois parei por falta de tempo. Foi assim que eu parei as coisas que mais fazem falta hoje, por falta de tempo. Precisava priorizar os estudos na escola e o tempo em que fazia as aulas estava me atrapalhando. Tenho pena por elas que ficam guardadas, esperando para dar uma voltinha rápida pela casa e que jamais participarão de um grande espetáculo.
Encontrei também coisas de rolinhos antigos, amizades do tempo de escola, bobeirinhas que eu tinha mania de guardar. Tem coisa até que eu já joguei fora, lembro de época que tinha muito mais. Mas só joguei aquilo de quem não teve um papel muito bom no meu passado, o que é minoria. Uma coisa que aprendi na vida é que rolinho do passado é coisa intocável, nunca deve ser revivido. No plano das ideias tudo é bem mais lindo que se você reviver com toda certeza não superará as expectativas alimentadas por anos. Será um grande desastre.
Devia ser crime reviver romances do passado. É como inventar de voltar às aulas de balé 6 anos depois. Você se lembra que os pés machucam, o corpo dói e que o colant te faz parecer ainda mais gorda. Percebe que aquele passo de nome esquisito ainda é impossível, que você nunca terá elasticidade suficiente para o espacate e que jamais será o grande destaque do espetáculo. É tão melhor guardas as sapatilhas, há dores que não há remédio que cure.

3 comentários:

Luiz Fernando Silva e Silva disse...

Lindo os novos textos.
Leia esse. parece que foi escrito por você no futuro.
http://super.abril.com.br/cotidiano/diario-mae-sincera-732734.shtml?utm_source=redesabril_jovem&utm_medium=twitter&utm_campaign=redesabril_super&

Anônimo disse...

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Unknown disse...

Laiz sempre objetiva, parabéns!! me enxerguei muito nesse texto e acho que vc tem razão em tudo que disse. Adoro ler suas coisas, beijos