Tem um tipo de sonho que acho que todo mundo tem. Aquele em que quando alguém te acorda você sonha que já fez tudo que precisava fazer, sabe? Por exemplo, acordou, tomou banho, trocou de roupa, tomou café e foi trabalhar. Mas aí quando você se dá conta você ainda está dormindo e não fez nada. É muito decepcionante e aumenta o grau da preguiça em 100% porque é como se você tivesse que fazer tudo aquilo de novo.
Quando eu era pequena eu tinha um pensamento muito esquisito. Eu pensava que meus professores e todos meus coleguinhas eram ursos fantasiados de humanos e que uma hora ou outra eles tirariam as máscaras e só restaria eu de intrusa. Eu juro que pensava isso, é um pensamento muito esquisito para uma criança e por que ursos? Não me lembro de ter medo. Seria uma identificação com caixinhos dourados? Que loucura. Algum psicólogo explica? Por favor.
Eu tenho sonhos esquisitos e quando percebo que é sonho, fico em pânico com o que possa acontecer e berro minha mãe para me acordar, em vão. Quando finalmente acho que acordei, estou em meu quarto buscando o interruptor e quando não tenho forças para apertá-lo percebo que ainda é sonho e fico ás vezes a noite inteira nessa de implorar pra alguém me acordar.  Ultimamente ando me controlando e mesmo depois que percebo que é sonho me acalmo até esquecer.  
A relação disso tudo é que é assim que eu me sinto ás vezes em relação à minha vida. Eu tenho alguns medos estranhos. Tenho medo da minha vida ser só um sonho e um dia eu acordar com 5 anos e perceber que não fiz nada do que fiz. Ou acordar sendo uma pessoa diferente com uma vida diferente e tudo isso não ter passado de um sonho. Ou que todos em minha volta são impostores tipo o show de Truman ou tipo os ursos da minha infância. Sei lá, parece loucura, mas juro que ás vezes me pego pensando nisso. Se a minha vida for mesmo uma camada de um sonho infinito eu não estou gritando para ninguém me acordar e eu nunca quero ter força suficiente para apertar o interruptor.

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A cena ocorre em um quarto com pouca iluminação, há muitos curiosos no local. Uma menina está sentada na penteadeira enquanto a mãe coloca em sua cabeça um véu. Todos olham admirados, ela olha para o espelho e a imagem refletida chora. Uma criança de 8 anos vestida de branco. A menina era eu, eu em um pesadelo de infância no qual todos os meus familiares, das avós às tias e primas mais distantes me obrigavam a casar.  Imagina que pesadelo seria pra uma criança que não consegue ficar longe da mãe nem por uma noite, casar? Foi então que nessa fase de infância adquiri pânico no lago de casamento. Engraçado é que quando tinha uns 4, 5 anos minha vó sempre casamenteira que foi já brincava me questionando sobre a data e eu dizia em alto e bom tom: 10 anos. Claro que isso é consequência daquela típica falta de noção de idade que a gente tem quando criança, nada a ver com eu ser precoce ou algo do tipo.

Hoje sou apaixonada por casamentos. Acho lindas as festas, as decorações, as fotos, os vestidos, as músicas, tudo que deve ser planejado nos mínimos detalhes. Sério, eu já escolhi meu vestido há dois anos enquanto visitava um blog de moda bem conhecido. Gostei logo de cara e já saí mostrando pra todo mundo feito louca mesmo: Já escolhi meu vestido de casamento, quer ver? Claro que vou mudar de ideia daqui um tempo e escolherei outro e depois outro e assim sucessivamente.  Um tempo atrás acordei com uma música perfeita de um filme favorito daqueles que nunca sairão de moda e pensei: Será essa a música. Teve uma época que falei tanto de casamento que disseram que eu deveria estar querendo casar. Não tem nada a ver porque  já escolhi também o nome dos meu filhos e nem sei se eu quero ter filhos. A gente simplesmente tem mania de planejar essas coisas que podem ou não acontecer em um futuro distante. É bem mais fácil planejar coisas distantes que planejar soluções para problemas simples da vida como, por exemplo, estudar pra prova da semana seguinte. 
Eu não tenho pânico de casamento como na infância, mas também não quero loucamente casar. Não imagino que alguém além da minha mãe e irmã possa me suportar tanto tempo. Não imagino também como suportar alguém com quem não convivi muito até aqui e que terei que conviver tanto. É muito complicado pensar nisso. Conversa de gente encalhada também, sabe? Daqui uns anos posso aparecer aqui na maior cara de pau e negar tudo isso. Enquanto não acontece prefiro continuar pensando nos vestidos, decorações, músicas e quem sabe um dia não caso de mentira? Faço uma festa de casamento sozinha, não divido a atenção com ninguém, meu bonequinho do bolo terá todo o espaço do mundo e mato minha vó de desgosto. 

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Esse ano o dia primeiro caiu na segunda exatamente depois do feriado de páscoa. Esse “fenômeno” aconteceu também uma vez quando eu era bem criança. Passei um ótimo feriado na fazenda com direito a muitas brincadeiras, comilanças. Não dá tristeza pensar que naquela época se não quiséssemos ganhar quilinhos a mais era só fazermos aquilo que mais gostávamos? Brincar, brincar até não agüentar mais. E se a gente fosse gordinha também pelo menos pelo mundo dos adultos éramos considerados fofinhos. Os mesmos adultos da família que hoje nos julgam pelos quilos a mais ou comentam que se continuarmos assim jamais arrumaremos namorado. Voltando ao assunto do feriado, voltamos na segunda 6h da manhã, pois teríamos aula às 7h. Estava bem frio e chovia um tempinho excelente para ficar na cama e dormir, era isso o que mais queria fazer já que não há nada melhor que dormir quando não se pode. Eu lá sentada no sofá, enrolando para entrar no banho enquanto meu pai retirava as malas do carro. Reclamei que não queria ir na aula só por ser reclamona mesmo, sem esperança, mas tive uma surpresa.  Ele disse:  Você não precisa ir, a diretora ligou falando que não tem aula por causa da chuva. Foi a melhor notícia do mundo. Fui correndo para o quarto, colocar pijama e dormir. E então ele chegou rindo da minha cara e dizendo: Primeiro de Abril. E esse foi meu primeiro contato real com essa data.
Na verdade quando era bem menor ainda já tinha tido contato com brincadeirinhas bobas, tão bobas que nem faziam sentido. O legal era apenas contar uma mentira como falar que o nariz da pessoa estava sujo e esperá-la verificar para depois rir. Depois quando eu era adolescente a graça era inventar pra minha mãe que eu estava grávida só pra ver a cara dela. Tipo, oi? Só que esse ano o primeiro de Abril foi uma chatice, no domingo eu já me preparei para que ninguém me enganasse na segunda. E na segunda a moda não era contar a mentira e esperar que o outro caísse. O legal no facebook era falar que estava preparado para não ser enganado, que isso tudo era uma bobeira ou que o dia da mentira já foi bem mais legal, é exatamente o que estou fazendo aqui. Quantos quês, gente.
Isso me leva a outro assunto. Segundo alguns queridos professores estamos na época do mimimi e se formos parar pra pensar estamos mesmo. O ser humano é um eterno insatisfeito e parece que na rede social essa insatisfação está cada vez mais divulgada. Reclama-se pelo simples fato de reclamar e é óbvio que sou uma delas, sou uma das rainhas do mimimi. Inclusive tenho infinitas reclamações sobre a convivência facebookiana, mas vou deixar pra uma outra vez. Uma delas é a velocidade das informações. Um assunto que hoje de manhã é novidade à tarde você já não agüenta mais ouvir falar. Tenho um amigo que diz que acha que mais que “não curtir” o botão fundamental do facebook seria um “já vi”. Imagina que cortação de barato seria? Quer uma prova da velocidade das informações aliada ao mimimiísmo? O preço do tomate que em um dia era assunto geral, todo mundo comentando, virou até meme e no outro dia a moda era reclamar das pessoas que reclamavam do preço do tomate e hoje o assunto é reclamar das pessoas que reclamaram das pessoas que reclamavam e assim sucessivamente. Como diriam outros amigos zuando: “Achei ofensivo. Apaga.”
ps: não duvido que alguém reclame do tema do meu texto ser mimimi já que tanta gente já falou disso =\



Texto publicado atrasadíssimo aqui.
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Eu nunca quis ser astronauta. Sempre quis começar um texto assim, mas nunca encontrava onde encaixar essa frase. Esse papo de sempre dizerem que toda criança já quis ser astronauta é mentira. Tá, beleza, deve ser super legal a viagem até a lua, flutuar e tal, mas e quando eu chegar lá ? O que é que eu vou fazer? Sou hiperativa e ansiosa demais pra ser astronauta. Além do mais, esses dias vi um quadrinho onde mostrava dois astronautas e um deles estava com coceira no nariz. Consegue imaginar o desespero? E é claro que ia dar sim uma coceira no nariz porque coceiras sempre dão nas horas erradas, tipo na missa na hora do pai nosso comunitário. Esqueça alergias, ataques de pernilongos, pó de mico o que dá mesmo coceira é não poder coçar.
Quando era criança quis fazer moda porque achava que criava modelos de vestidos incríveis com a toalha de banho.  Já quis também ser cabeleireira e me frustrei logo no primeiro corte, fui obrigada a desistir do meu sonho depois de transformar meu lindo cabelinho em uma réplica perfeita de capacete. Já quis ser advogada porque sempre gostei de argumentar para defender meu ponto de vista e porque inventava contratos para meu pai assinar e me dar as coisas que prometia.  Já quis ser tanta coisa que já quis, inclusive, não ser nada o que foi realmente o mais desesperador.
Um dos meus sonhos infantis era trabalhar na rádio. Primeiro porque eu achava muito importante falar algo para muita gente ouvir. Achava tão importante que cheguei a ligar na rádio, pedir música e gravar aquilo pra ouvir depois e mostrar para a família como se fosse a coisa mais importante do mundo, como se só pessoas muito privilegiadas pudessem ligar lá para falar ao vivo. O motivo principal de querer trabalhar na rádio é porque eu tinha uma grande inveja do locutor. Gente, o cara da rádio parece ter a vida perfeita, são 7h da manhã você está quase morrendo de sono, indo cumprir suas obrigações e ele ta lá, naquela animação. Meio dia, aquela fome do cão e ele continua na mesma animação.  Eu pensava que o cara da rádio era a pessoa mais feliz do mundo, sempre animado e jovial. É por isso que esse foi por muito tempo o emprego dos meus sonhos. Eu cheguei a trabalhar na rádio, realizei meu sonho. Também paguei muito mico, chamei gente importante pelo nome errado, tirei o locutor ao vivo, dei uma de surda e sou zuada até hoje quando lembram dessas gafes. Foi uma super experiência, é o tipo de coisa que você só aprende na prática e errando muito mesmo. Descobri que o locutor da rádio não é a pessoa feliz 24h por dia, mas se ele ama aquilo que faz consegue fingir muito bem.
Depois descobri que eu gostava de escrever apesar de sempre ter ido tão mal em redação. Eu não queria escrever sobre o derretimento das calotas polares, os países emergentes ou o sistema de cotas em universidades. Queria escrever sobre aquilo que realmente importava na minha vida como a minha relação com meus avós, um causo de infância ou algo que aprendi com a vida. Até hoje quero ser um monte  de coisa. Cada hora uma coisa. Meu sonho mesmo é ir no programa do Jô dar entrevista, acho que é o máximo uma pessoa conseguir ir lá, quer dizer que é realmente boa naquilo que faz. Meu outro sonho é um dia chegar .  é aquele lugar que todo mundo tanto fala que quer chegar. Meu problema nem é saber onde é . Meu problema é que o meu  vive em constante mutação então nunca sei se um dia chegarei nele. 





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Domingo dá depressão mesmo, disso todo mundo já sabe. É dia da gente pensar na vida, no que tem pra fazer, marcar de começar dieta, resoluções na vida, tudo aquilo que infelizmente vamos esquecer na segunda e lembrar só no próximo domingo. É dia de assistir fantástico e ver quantas coisas ruins acontecem no mundo, mas também ver uma esperança no fim do túnel como aquele pai que desenvolveu a bota para jogar futsal com o filho deficiente e prometeu desenvolver mais uma para a dupla de irmãos dos EUA que competem triatlo juntos. Aquilo foi realmente de encher os olhos d'água.
É dia principalmente de almoçar na casa dos meus avós. Não é todo domingo que vamos lá, mas aquele que vamos é maravilhoso e não digo só pela comida divina que minha vó faz, mas pela companhia, união, o estar junto. Minha mãe é filha única, portanto eu e minha irmã somos únicas netas do vô quiqui e da vó Ana o que faz com que sejamos paparicadas desde criança. Quiqui deriva de Henrique e Ana de Ana Maria, nome que darei aos meus filhos se um dia eles existirem. Todo almoço são os mesmos ritos. Minha vó sempre pergunta quando vou arrumar um namorado e faz planos de como conseguir o marido perfeito pra mim, para não perder o costume fico brava, faço cara feia, ou invento uma resposta infeliz para completar a brincadeira. Meu avô coloca muito pouco sorvete no meu prato como se nada estivesse acontecendo enquanto enche o prato da minha irmã só para me ver ficar furiosa. Depois minha vó me manda sair mais, me arrumar mais, passar mais maquiagem no dia a dia, entre outras coisas que ela julga como importantes conselhos. Meu avô faz mais algumas piadinhas só pra ver a gente sorrir. Faço minhas graças, minha irmã faz as delas, rimos muito e vamos embora prontos para outra semana.
Esse domingo em especial fomos almoçar nos meus avós, tudo corria na mais perfeita ordem, seguindo os mesmos costumes até que meu avô contou que tinha ido até o clube da cidade e jogado pão para os patos no lago. E é aí que entra a minha crise de domingo. Quem vê de fora acha que é bobeira, mas pra mim não foi. Se hoje nossos costumes são aqueles que descrevi no parágrafo anterior, antes não era. Eu, minha mãe e minha irmã íamos todo santo domingo bem cedinho para a casa dos meus avós onde tomávamos café da manhã. Quando o domingo era muito ensolarado íamos para o clube nadar, mas quando não era meu avô levava eu e minha irmã ao clube para passear. Lá nós brincávamos muito, ele balançava a gente no balanço, cuidava para que não caíssemos dos brinquedos, rodava os brinquedos, levava para tomar água direto na bica e nunca se esquecia de separar pão para levar para os patos. Entende por que me deu tristeza? Eu abandonei aquele costume, mas meu vô não. Ele continua indo lá todo santo domingo para jogar pão para os patos e só Deus sabe a importância que isso tem pra ele. Eu adorava aqueles domingos, eram preciosos, fazem parte da minha infância. E quando eu percebi que eu abandonei uma coisa simples da minha infância eu me senti em imensa falta com ele porque foi como se eu tivesse o abandonado também. Eu me arrependi de as vezes ter perdido a paciência com seu jeito sistemático enquanto ele jamais perdeu comigo em minhas diversas birras. Me arrependi de ter deixado ás vezes de lado duas pessoas tão importantes da minha vida por falta de tempo, por priorizar outros compromissos ás vezes sem grande importância. E me bateu um medo enorme de perder aquelas duas pessoas por quem eu tenho um merecido amor incondicional. O mesmo medo que bateu quando eu tinha 10 anos e meu vô disse que "iria embora" depois de 20 anos. Meus são responsáveis por grande parte daquilo que sou hoje.



ps: Já escrevi sobre o meu avô em outro texto, quem quiser conferir clique no link: http://www.futilefutil.blogspot.com.br/2011/08/pentelhices-ii.html

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Dia desses estava mexendo em meu armário de bagunças, todo mundo tem um e sabe como é. No meu caso não é bem um armário é uma sapateira daquelas acopladas com a cômoda. Uma sapateira frustrada coitada, nunca chegou a guardar um sapato. Encontrei muita coisa: uns papéis velhos que já não fazem o menor sentido, meu histórico escolar pra jogar sempre na minha cara o quanto sou ruim em exatas, alguns livros que não faço ideia mais de quem são e elas, minhas sapatilhas de ponta da época do balé.
Toda vez que reencontro minhas sapatilhas fico namorando-as. Coloco nos pés, arrisco uns passinhos (não aconselho ninguém a fazer isso em casa) e até dou uma passeadinha pela casa "Olha que que eu achei, mãe. Que saudade". Estão velhinhas e sujas, sapatilhas de balé quanto mais velhas mais bonitas porque significa que foram muito usadas. Usei há uns 6 anos, depois parei por falta de tempo. Foi assim que eu parei as coisas que mais fazem falta hoje, por falta de tempo. Precisava priorizar os estudos na escola e o tempo em que fazia as aulas estava me atrapalhando. Tenho pena por elas que ficam guardadas, esperando para dar uma voltinha rápida pela casa e que jamais participarão de um grande espetáculo.
Encontrei também coisas de rolinhos antigos, amizades do tempo de escola, bobeirinhas que eu tinha mania de guardar. Tem coisa até que eu já joguei fora, lembro de época que tinha muito mais. Mas só joguei aquilo de quem não teve um papel muito bom no meu passado, o que é minoria. Uma coisa que aprendi na vida é que rolinho do passado é coisa intocável, nunca deve ser revivido. No plano das ideias tudo é bem mais lindo que se você reviver com toda certeza não superará as expectativas alimentadas por anos. Será um grande desastre.
Devia ser crime reviver romances do passado. É como inventar de voltar às aulas de balé 6 anos depois. Você se lembra que os pés machucam, o corpo dói e que o colant te faz parecer ainda mais gorda. Percebe que aquele passo de nome esquisito ainda é impossível, que você nunca terá elasticidade suficiente para o espacate e que jamais será o grande destaque do espetáculo. É tão melhor guardas as sapatilhas, há dores que não há remédio que cure.

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Faz tempo que eu penso em escrever sobre soluço, mas nunca tomava vergonha na cara. Soluço é estranho porque meio que vem do nada e dá muita, muita aflição. Esse final de semana resolvi tomar vergonha na cara porque tive A CRISE. É, eu meio que fui forçada a tomar vergonha na cara porque foram 4 crises seguidas então imagina a festa  o desespero. Disseram que eu pareço um porquinho quando soluço. Foi Deus querendo me trazer inspiração em forma de soluço.
O engraçado é que crise de soluço é um caminho para solidariedade. Todo mundo quer ajudar e dar a sua dica que jura ser infalível e ainda fica bravo se você pelo menos não tentar. Quando eu era criança minha mãe fazia aquela simpatia de colocar uma linhazinha na minha testa, teve uma vez recente que ela fez o mesmo, mas nem adiantou. Tomar água de cabeça pra baixo nas posições mais engraçadas possíveis, prender a respiração e soluçar enquanto prende a respiração. Há muitas outras simpatias que as pessoas juram que vão funcionar, mas que nunca funcionam.
Antes da crise monstra eu já tinha tido uma crise tensa em uma festa open bar. Estava frio, eu vestida de piriquete e nem era baile a fantasia, não deu outra foi soluço a noite inteira. Acho que foi friagem, piriguete não sente frio e como eu não sou piriguete eu senti muito frio. O pior é que em festa open bar você só vai embora se tiver morrendo e no meu caso não existe melhor remédio pra soluço que banho quente e cama.
O que aconteceu esse final de semana é que eu fui em uma festa de formatura (parabéns, maximinho) e do nada eu comecei a soluçar. Eu adoro festa de formatura, gente. Festa de formatura é a festa de 15 anos do mundo da faculdade, eu amava festas de 15 anos. Festa de casamento também é muito top, mas ainda não fui em casamento de ninguém da minha faixa etária, o que na época da minha vó seria preocupante, mas hoje é até meio que um alívio. Na verdade não foi bem do nada, foi depois de um certo ocorrido, ou depois de um certo personagem: O tequileiro.
Tequileiro é um cara gato geralmente sem camisa que te seduz e faz ir até ele. O engraçado é que se algum cara da formatura por mais gato que fosse resolvesse tirar a camisa alí eu o zoaria até a morte, mas o tequileiro pode, ele tem o aval simplesmente porque ele é O tequileiro. E aí você chega até ele e encontra uma mulher que te gira como se te preparasse para o ritual dele e te senta em uma cadeira já tonta de tanto que te girou. Ele joga muita tequila na sua boca e fala algo em seu ouvido que eu morria de vontade saber. Achava que ele cantava todas as moças que sentavam alí, mas ele simplesmente fala: RELAXA A CABEÇA e se você relaxa o resto da sua festa será uma ALEGRIA. Depois dele muito te chacoalhar acaba e você vai embora sem rumo e torce pra encontrar alguém que te tire daquela rodinha de gente te olhando. Não tem sal, não tem nem um limãozinho, ele nem te pede o telefone depois de mexer sua cabeça daquele jeito. Então no outro dia eu falei pra minha irmã: Se eu posso te dar um conselho na vida é, nunca vá no tequileiro. Brincadeira tequileiro, seu lindo que alegra a festa da mulherada, ás vezes você nem é tão lindo, mas na festa tudo fica lindo.
Mas aí do nada eu tive crise de soluço, gente. Quando não é na festa open bar é na formatura que também é open bar. Com certeza é friagem.

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