Quando eu era pequena toda vez que ia na padaria ficava de olho naqueles doces lindos da vitrine. Eram brigadeiros enormes, potinhos coloridos com vários cremes dentro ou bombas de chocolate. Eu não era muito birrenta, graças a deus minha mãe soube me educar muito bem. Educação é uma coisa que se não é dada na hora certa depois nem tem mais solução. Mesmo assim ás vezes eu pedia um docinho e ás vezes ganhava. Muitas vezes o resultado não era nada bom e a brincadeira terminava em careta. O brigadeiro não era brigadeiro, mas um mingau de maisena (maizena é a marca), o creme era um puro chantili adocicado e  colorido e a bomba era molenga.
Então eu comecei a pensar muito bem antes de pedir. Comecei a analisar os doces, procurar referências, perguntar antes e até a ter doces preferidos que sempre eram repetidos. É claro que estes também me surpreendiam, nada é perfeito, mas se faziam era com uma frequência bem menor. Digamos que com o tempo aprendi a escolher doces. Depois que cresci aprendi que algumas pessoas são como doces de padaria e do pior tipo, aqueles que nunca vou aprender a diferenciar até errar. E quando se trata de pessoas.. não há careta que resolva o problema. 

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Se tem um evento social que eu não gosto de jeito nenhum é o velório. Sempre fui ao velório por obrigação, até porque graças a Deus nunca perdi alguém muito próximo. Acho que a obrigação de ir ao velório é uma das coisas chatas do mundo dos adultos. Quando eu era pequena eu falava que não queria, que tinha medo e pronto.
Outra coisa muito chata do mundo dos adultos é encontrar pessoas que você conhecia quando criança e depois perdeu o contato. Um caso que pode acontecer é aquele clássico mimimi de como você cresceu, mas não é o pior caso. Pior é quando você encontra a pessoa, mas ela não te reconhece. Sabe do que estou falando? Você cresceu, está mudado, a pessoa não reconhece, mas pra você ela ainda é a mesma coisa e por isso acha um absurdo não cumprimentar. Pior ainda é quando é homem, você cumprimenta e ele te olha com aquela cara de: que que essa menina tá dando em cima de mim? Pessoas que você conhecia quando pequeno e fica tempos sem ver, tornam-se semi conhecidas, aquele tipinho que você tem pânico de encontrar já que nunca sabe o que fazer. Isso me lembrou minha irmã que comentou esses dias que tem gente que é tão chata que ela tem vontade cumprimentar com um tchau ao invés de oi. Seria cômico se não fosse trágico.
Voltando ao velório. Uma vez minha mãe pediu para que eu fosse a um com ela prometendo que eu não veria o corpo. Quando chegamos lá ela foi cumprimentar a amiga e me puxou pelo braço junto. Eu tentei não olhar, mas vi e tinha algodão no nariz. Foi meu primeiro contato traumático com velório. Mais tarde no velório da mãe de uma professora, tive um dos maiores ataques de riso da minha vida, foi muito triste. Eu tenho esse problema com ataque de riso desde muito tempo atrás, deixo como assunto pra outro texto. Acho que todo mundo tem uma história estranha ou engraçada para contar de velório. Minha vó já tentou arrumar namorado pra mim em velório e já inclusive me mandou frequentar mais velórios para ver se encontro alguém. Minha avó não sossega enquanto não me ver lindamente casada. Pelo menos o vestido MARAVILHOSO eu já escolhi.
Acho que o pior do velório são as pessoas vivas. Primeiro que tenho aflição de gente chorando perto de mim, eu nunca sei o que fazer ou falar, fico extremamente sem graça. Isso acontece em qualquer situação só que no velório o pranto se intensifica de tal modo que eu fico incomodadíssima. E como tem gente que gosta de mostrar que tá chorando.... Eu odeio que me vejam chorando, fico muito feia credo. Já chorou olhando no espelho? A vontade passa na hora, a não ser aquele tipo de pessoa que gosta de sentir pena de si mesmo. As pessoas estão certas de chorar, já falei sobre isso, tem que esvaziar o balde transbordado de emoções para só então ter um baldo livre. Pior mesmo é quando você sente e não consegue chorar, coisa que acontece quando a tristeza é tão intensa que não há como externar. Minha vó tem isso, ela diz que quando sua mãe morreu ela chorou tanto que suas lágrimas secaram. Minha vó nunca mais voltou a chorar.
Outra coisa comum é que velório vira evento, as pessoas conversam de tudo, encontram aqueles que não viam há tempos, colocam o assunto em dia e fofocam, como fofocam... Se quiser saber o que está acontecendo na cidade, frequente velórios, de preferência de gente rica que são os que mais enchem de gente, inclusive daqueles que meteram o pau a vida inteira, mas estão de olho em algo e daí o sujeito vira santo. Velório de gente rica gera tanto boato, aparece filho bastardo de todo lado. Conheço gente que todo dia de manhã passa no velório pra ter assunto para o dia inteiro, cidade pequena é engraçado.
Eu não quero ser velada. Eu sempre tento avisar isso a minha família e minha mãe sempre desconversa falando que não quer tocar no assunto, mas acho tão necessário. Eu não quero aquela flor fedida em cima de mim, não quero aquele paninho que dá aflição e até hoje vi poucas coroas de flores bonitas, elas me chocam. Nunca quero ver meu nome escrito em uma, significará que alguém muito querido me deixou. Já deixei avisado também que não quero gente que não gosto lá, pelo amor de deus tá tarde demais pra tentar pedir desculpa, deixa meu corpinho(hahahaha) em paz, fora que não quero ser vista daquele jeito, pessoas que a gente não gosta tem que sempre ver a gente por cima.  Mas uma coisa que tenho curiosidade é fazer igual em filme, lançar o boato falso de que morri e ver a reação das pessoas. Quero saber quem chorou, quem se importou, quem consolou quem eu gostava, mas principalmente quem me deixou recado no facebook. Vou passar minha senha para minha irmã responder os recados, chamar o povo no bate papo e dar um sustão. Que o céu tenha facebook e instagram, porque se tiver instagram tem comida boa. Assim seja. Amém. 

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Eu tenho uma doença grave e crônica. Não sei se é um problema físico ou mental, acho que os dois juntos, mas é grave, muito grave. Essa doença já me impediu de ir a muitos lugares e fazer muitas coisas. Já me fez perder pessoas que se diziam amigas e até peguetes que por conta dela jamais chegaram a namorados. É triste, mas eu simplesmente a tenho e não tenho como me livrar. É difícil encontrar alguém que aceite essa doença, talvez apenas pessoas que a tenham ou que possuam pelo menos algum dos sintomas. Meu vô, por exemplo, me aceita muito bem, acha até bom porque com essa doença eu me enquadro muito bem dentro das morais e bons costumes que a sociedade manda.  Para minha vó, uma senhora muito a frente do seu tempo em alguns aspectos, eu ter essa doença é meio que inadmissível, com ela vai ser difícil eu realizar todos os sonhos não realizados por ela, mas que ela projetou em mim.
Muitas vezes não tenho vontade sair. Ou até tenho uma vontadezinha, mas a preguiça de tirar o pijama, escolher roupa e passar maquiagem supera qualquer vontade. Ou até dá vontade passar maquiagem, mas e chegar bêbada e tirar? Ou não tirar e acordar no outro dia fantasiada de panda e com o olho todo ardendo pela invasão de agentes estranhos. Dá preguiça só de pensar. Chegar na balada, beber alguma coisa, andar, procurar não sei o quê e nem pra quê e se o quê for totalmente desinteressante? Ah que preguiça, que perda de tempo.
Que bom é poder ficar o dia inteiro de pijama e meia. Tomar um banho e voltar a colocar pijama. Lençol fresco, um bom livro ou quem sabe dormir o dia inteiro. Filmes e seriados, pipoca e edredon, quem sabe um pudim ou brigadeiro? Abraçar a mãe, o cachorro, não preocupar com o relógio. Sair pra ir ao cinema, uma voltinha na praça, um sorvete na casquinha ou não sair pra nada. Desculpa, sociedade. Eu tenho velhice precoce. Eu tenho uma doença que é uma delícia.

 

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Pra quem não viu ainda o texto que escrevi sobre os bares de Guaxupé para a revista do centenário




Uma coisa sobre a minha pessoa é que não funciono muito bem sob pressão e por isso meio que entrei em "Pânico no Lago" quando fui chamada para contar um pouco dos bares de Guaxupé. A questão é : Seria uma menina de 19 anos capaz de dar um panorama dos bares da nossa cidade? Esses simpáticos lugares carregados de tanta história de amor, de ódio, de infância ou principalmente aquela super história engraçada que se não te matar de vergonha você vai contar para os seus netos? Acho engraçado isso de contar história para os netos porque avós são figuras tão perfeitas e idealizadas que os julgo incapazes de fazerem qualquer coisa comprometedora. Por outro lado, acho que chamaram a pessoa certa por causa dessa minha mania de comer. Não, não é uma maniazinha, é uma coisa meio absurda. Todo santo dia eu tenho desejo de comer alguma coisa diferente e por isso poluo meu Facebook com aquilo que chamo "Desejo do dia". Sou a favor do desejo compartilhado pelo mesmo motivo que sou a favor do medo compartilhado, é que acho que diminui um pouco, sabe? 
Apesar da pouca idade tive a oportunidade de conhecer o Bar do Francisquetti que era como os mais chegados chamavam o Jardim de Inverno. Essa foi uma das grandes vantagens de ter o Vô Quiqui e a Vó Ana morando na Rua da Aparecida. Sim, a rua que leva esse nome por causa da dona de um antigo bordel da cidade, mas que convenientemente fica próxima à igreja Nossa Senhora Aparecida fazendo com que alguns desavisados acreditem que é uma homenagem à querida padroeira do Brasil. Laiz também é cultura. Enfim, acabou que tive oportunidade de provar as delícias daquele lugar acompanhadas daquela decoração vintage de aspecto tão natural e nada forçada. Sei que se pudesse voltar lá hoje em dia ficaria louca e daria trabalho por não poder levar pra casa aquelas relíquias que garanto é o sonho de muitos admiradores de coisas retrô. Mas se teve uma coisa que me marcou no Bar do Francisquetti foi a coxinha que tinha em sua pontinha um ossinho de coxinha de galinha, achava aquilo tão criativo.  

Outro bar que me lembra infância é o Galo de Ouro. Meus pais me ensinaram muitas coisas na vida e uma das melhores delas foi a frequentar o Galo. Um ambiente tão familiar que minha mãe me levava até quando era bebê e me deixava lá com as pacientes Dona Irmâ e Dona Nenê. Aqueles galos dourados gigantes na parede e um delicioso cardápio com Bauru, omelete gigante, milk Shake, empada de massa podre e a também tradicional coxinha que ao invés de ossinho na pontinha tem um palito de dente. E o Galo continuou, mudou de lugar, de dono, mas não perdeu aquela cara de ambiente familiar. É aquele tipo de bar que frequentei em todas as fases da minha vida até hoje e que espero um dia poder levar meus filhos. Galo de Ouro tem sabor de nostalgia e é por isso que o considero o bar mais tradicional da cidade. Tradição é uma coisa que não tem como comprar.
Uma das coisas que admiro em Guaxupé é a diversidade do tal dos barzinhos ou barzin como é chamado por grande parte da mineirada, grande apreciadora dos benditos. Tem pra todos os gostos e bolsos e o melhor é que não os considero concorrentes, cada um tem a sua especialidade. Quem quer comer torresmo vai no Meio Período, bolinho de lingüiça é no Bar do Geraldão e como esquecer da divina batata com creme de queijo do Vila Minas? Quem nunca ouviu falar do arado do Bar do Sininho ou das tardes animadas do Skinas? Antiquário é Bar pra toda hora, chique com cara de rústico e que me lembra especialmente o inverno por conta de seus aquecedores ou copa do mundo por causa das tvs. Barbaridade e Zebu são a alegria dos universitários e horror dos pais que pagam as mensalidades da  Unifeg quando na verdade alguns filhos conseguirão apenas o diploma do Unizebu. O  Bar Marcenaria é ótimo pra quem quer algo mais tranquilo que o Marcenaria Pub. Por mais que isso seja sobre bares não poderia deixar de falar do Marcenaria Pub  por representar há 6 anos a noite de sexta guaxupeana e atrair público de toda a região. Queria ter ido alguma vez ao armazém, dizem que era ótimo e quando falei isso pra minha mãe ela soltou: Isso é porque quem frequentou o armazém não sabe o que era Churrascaria Bambu, ficava ali onde hoje é o Hotel Marambaia. Depois de uma boa noitada, de um bom baile ou até mesmo de uma noite de Expoagro é pro Kutchula que todo mundo corre, é onde tem o melhor bauru da cidade e representa muito o fim de noite da galera. Exceções devem ser abertas e por isso não poderia deixar de falar também da Casa do pastel, One Way e do Ponto de Econtro.O primeiro por ter criado um novo conceito de pastelaria, porque se antigamente dava vontade comer pastel a noite e não tinha onde ir. O segundo por ser a hamburgueria que faltava, por um preço justo se contar com a qualidade, ambiente muito agradável e principalmente por estar sempre presente no meu já citado Desejo do dia. E o terceiro  por fazer juz ao nome e principalmente por ser uma presença tão marcante nos carnavais guaxupeanos.

A importância desses barzinhos vai muito além de seus cardápios ou decoração. É muito mais o clima do local, as amizades que você constrói, as histórias que vivencia e principalmente aquilo que fica na memória. Espero que muitos bares de hoje tornem-se tradicionais. Desejo do dia: Que os bares de hoje tenham sabor de nostalgia também pras crianças de hoje e adolescentes de amanhã, que elas lembrem com saudade dos detalhes e que melhor ainda possam continuar frequentando-os e matando sempre a saudade.

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‘Celular, na sua época sua mãe nem sonhava em usar. ’ É engraçado essas coisas que você não consegue se imaginar sem e que há um tempo não muito distante nem existia. Tipo, quando eu era pequena eu achava o máximo o telefone sem fio da vizinha e ficava com a dúvida:  Se ela saísse de casa até onde ela conseguiria falar? Achava isso o máximo. Mas aí depois que a gente acostuma com algo a gente não consegue mais se imaginar sem aquilo. É igual aquela pessoa rica que fica pobre. Nascer pobre é ruim, mas ficar pobre é uma desgraça. Minha mãe odeia que eu use essa palavra. Na verdade, ela odeia que eu digo muitas coisas e acho que quanto mais ela reclama mais eu falo e juro que não é pirraça (acho que pirraça parece nome de palhaço). É espontâneo, força do hábito e tem mais, a maioria dos palavrões que a gente usa a gente nem pensa em seu real significado. Já chamei tanta gente cuja mãe é adorável de filha da puta... Tem hora que xingar (o Word apontou a palavra xingar como errada e mandou eu substituir por falar mal. Mereço? Até ele querendo mandar aqui? .) é libertador, mas tem hora que parece que me estressa ainda mais. Xingar é externar o que você sente só que só é bom se tem um alvo então eu acho desnecessário xingar objetos inanimados como a porcaria da quina da cama que atrai o dedinho. Eu e minha irritante mania de mudar de assunto.
A maior função do celular é fingir que to entretida nele quando vejo alguém que não quero falar oi. Sempre tem aquele tipo de pessoa que dá aquele pânico no lago de ter que falar oi então é ótimo. É por isso que não apago as fotos, as mensagens... Deixo lá pro dia que precisar ficar olhando mil vezes a mesma coisa se for necessário. Pra minha mãe a maior função é me localizar, me ligar com aquela voz de sono me mandando voltar pra casa ‘onde você  tá filha? Tá tarde já. Dá um jeito de voltar pra casa. ’. Então, se eu não consigo me imaginar sem cel? Imagina a Dona Sandra? O despertador também entra na lista de coisas mais úteis. Eu só durmo com o celular em baixo do travesseiro por causa dele porque na verdade eu acho um saco quando eu to dormindo lindamente e alguém me liga. Nem preocupo em disfarçar, atendo com voz de quem acabou de acordar mesmo, estressada mesmo pra pessoa ver que me acordou e ficar com peso na consciência. Aliás, é esse um dos termômetros que indicam quando eu to gostando muito de alguém, se eu não ficar puta com a ligação de madrugada ou der aquele maldito sorrisinho com a mensagem é alerta vermelho o que significa que ‘aí a porra ficou séria. ’. E outra, eu queria saber quem foi que inventou o soneca (tem um anão da branca de neve que tem esse nome né? Nunca fui muito com a cara lesadinha dele) do despertador? Aquilo lá engana todo mundo e faz qualquer um perder a hora fácil. Eu não entro na lista de qualquer um e do todo mundo porque eu tenho pânico da função soneca então quando eu a ativo eu fico acordando de 1 em 1 minuto  assustadíssima achando que perdi a hora. Comigo a coisa é bem mais grave, quando to com muito sono desligo e despertador e fico com aquela preguicinha de levantar da cama boa e acabo pegando no sono eterno, aquele que a gente quase desidrata de tanto babar. Acho que não vou casar porque eu babo muito enquanto durmo.
Celular só toca quando você não espera e nunca toca quando você espera. Fica olhando fixamente pra ele quando quer que alguém te ligue é o maior espanta ligação que tem. E isso é comprovado experimentalmente pela minha pessoa. Tipo, o problema da tão xingada mensagem de operadora não é ela em si, mas quando ela chega você geralmente tem aquela esperancinha que seja daquela pessoa. Falando em mensagem, não tem nada mais constrangedor que mandar mensagem errada. Segundo a Lei do nosso amigo Murphy (e não é o Ed) quando uma pessoa manda mensagem errada essa mensagem tende a ser a mais comprometedora possível. Aliás, tem coisa mais constrangedora sim: falar mal da pessoa se ter desligado o celular. É claro que eu já fiz isso. Pelo menos  eu não falei nada que não falaria na cara.
Tem muitas coisas que me constrangem na vida e uma delas é toque de celular. A coisa mais difícil que tem é escolher um toque decente. Acho tenso quando a pessoa tá lá de boa e aí toca algo constrangedor. Eu sempre imagino Lady Gaga como exemplo, a pessoa tá lá de boa de repente começa a tocar Alejandro, Bad Romance ou Telephone que tem gente que deve achar bem criativo usar telephone como toque né?  TENSÃO EM CRISTO. Ou pior ainda são aqueles que um dia, em um tempo tão tão distante foram modinha tipo ‘fiu,fiu olha a mensagem’, ‘Sofia, o Sofia, ooooo Sofia da puta ateeende’ ‘tem pobre ligando pra mim’ ou aquelas voz de criança ou adulto imitando criança que é pior ainda .Já deu pra entender que que eu to querendo dizer né? Não dá preu ficar citando essas vergonhices alheias eternamente. Então, amigos escolha aquele que quando tocar na padaria você não vai ter que fingir que não é com você.
 É só isso que tenho pra falar de celular, mas lembrei de outra coisa e como aqui eu escrevo o que eu quero já vou falar. Isso aqui não é novela pra enrolar pro próximo capítulo mesmo, deu vontade eu tenho que falar. Falando em fingir eu lembrei da vez em que minha irmã no supermercado lotado avistou uma fila meio vazia e entrou. Quando viu que a olhavam estranho, percebeu que estava no caixa preferencial. E o que fez? Aquela posição de grávida, barriga pra frente, perna meio aberta e mão na barriga. Infalível, pelo menos não foi linchada. Obs totalmente desnecessária: Tenho aflição de umbigo de grávida.
Aí também teve uma vez que a gente tava comprando fralda pra um chá de bebê e um amigo do meu pai (aquele tipinho fofoqueiro que torce pra ter o que contar pro seu pai e fortalecer o espírito da amizade masculina) perguntou pra quem que era. Eu sempre bocudinha respondi: ‘Não tá sabendo? A lu tá grávida, a gente tá tão feliz. ’ e coloquei a mão na barriga dela. Tudo bem que arrisquei um falso boato sobre a minha irmã, mas a cara dele foi impagável e também falsos boatos são tão ridículos que chegam a ser cômicos. Fico só imaginando o que ele faria se no lugar de fraldas fossem camisinhas. Tenho muita história de gravidez inventada pra contar, mas sei lá se o povo quer saber disso. Sei lá também se isso é interessante. E a preguiça de digitar ajuda também. 

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Escolher o que eu queria ser "quando crescesse" foi tão difícil que eu mal sei como dei conta. Ao mesmo tempo em que foi muito fácil decidir como eu queria ser. Isso eu sabia desde muito pequena, tinha certeza. Estava lá claro nos pequenos detalhes para quem quisesse ver e tivesse o poder observador que só alguns têm. Observar é um dom.
Lá estava eu andando pela casa com o sapato 37 torcendo pelo dia em que ele serviria sem nunca esquecer do "fume", "tom" ou "malti". No vestido tomara que caia que sempre insistia em cair e no sonho de um dia possuir um "putiã bremeio" que por coincidência, seria mesmo coincidência?! Era sua cor preferida de batom.
Tudo que eu queria era ser igual àquela mulher. Porque antes de eu nascer ela já era mãe, mas eu não era nada. E se um dia eu conseguir ser metade da mulher que minha mãe é, já vou me considerar feliz, plenamente feliz.

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Toda vez que eu assisto algum filme de super herói ou seriado eu fico com vontade ter um daqueles super poderes. Isso já acontecia quando eu era criança e achei que não aconteceria mais quando eu crescesse, mas continua. Quando eu era pirralha eu não podia ver nenhum filme, desenho que ficava falando que queria ser tal pessoa. Ahhh todo mundo já fez isso. Inclusive brigava com primas, irmãs e amiguinhas para ser tal personagem. Eu sempre gostava de ser a lindinha das super poderosas e ficava muito brava quando não deixavam. Acontecia com namorados também. Eu queria o Leandro do KLB, todo mundo queria e dava aquela briga. Outro dia ouvi a vizinha brigando com as amiguinhas porque todas queriam ser a Ariel da Pequena Sereia. "A casa é minha, a piscina é minha e eu vou ser a Ariel." Criança consegue ser insuportável quando quer. Eu queria morrer quando ouvia essas chantagens infantis e acho que já até respondi com um "Tá, então eu vou embora e você brinca sozinha." Acho justo.

Eu achava um absurdo herói esconder sua verdadeira identidade. Como que ele não queria se mostrar ao mundo? Só que aí eu fui pensar no lado dele e deve ser uma droga mesmo porque ele é tipo uma aberração. Pensa o preconceito que o coitado tem que enfrentar em um mundo onde ser diferente é tão reprimido. Que barra. Fora que se o governo fica sabendo ele dá um jeito de acabar com aquilo logo pra não ser um perigo pra sociedade. E nem é por culpa do coitado, não é que ele é mau e pense em usar seu poder em benefício próprio.É que o herói é primeiro de tudo homem, misto de razão e emoção. Pra gente que não tem super poderes já é foda usar a razão sempre, em um segundo podemos fazer algo que nos arrependeremos pelo resto da vida. Agora pensa o super herói? Ele tem uma genética turbinada, é como se a emoção dele também estivesse. Tipo aquele cara locão que ama demais e mata a mulher por ciúme. Pânico no lago, pânico na floresta, pânico em todos os lugares possíveis, em todos os biomas até no mangue com o sirizinhos.
Outro problema de ser super herói é ser Workaholic (designa uma pessoa viciada em trabalho).Porque pensa, se sua vida é salvar vidas você vai tentar fazer isso na maior parte do tempo possível, salvar o máximo possível. Acho que eu seria assim se fizesse medicina. Ainda bem que não faço. Ah eu nunca faria medicina mesmo. =}
Óbvio que mesmo assim eu fico pensando quais poderes eu queria ter. Naqueles momentos em que estou no sofá deitada, confortável e percebo que esqueci o controle. Aí começa aquela clássica cena da minha pessoa quase caindo do sofá, fazendo altos contorcionismos para tentar pegar o controle, mas mesmo que seja muito mais complicado assim não levanto por questão de honra. Questão de honra é questão de honra. Nessas horas eu penso que seria infinitamente mais fácil se eu fosse o homem aranha e tivesse aquela super teia que pegasse o controle mesmo deitadona no sofá.
E atravessar paredes? Pensa que beleza poder entrar naquela balada badaladíssima de graça ?! Melhor ainda seria se eu pudesse me teletransportar, eu aproveitaria pra conhecer o mundo inteiro. Eu ia ter medo de ficar perdida no espaço ou de fritar meu cérebro como acontece nos filmes. Outra coisa que frita cérebro é voltar no tempo (efeito borboleta). Por um lado até seria bom só que errando eu aprendi tanta coisa. Na época que aconteceram as "merdas" tudo que eu queria era voltar no tempo. Só depois a gente percebe que nada acontece por acaso. Um dia a gente entende o porquê, as vezes demora, mas entende.
Voar deve ser legal, a sensação de liberdade deve ser indescritível. Uma das minhas maiores vontades é saltar de bungee jump ou pára-quedas, adoro adrenalina, friozinho na barriga. Segundo um professor que eu tive essas vontades revelam uma vocação para suicida. Ele dizia: "O que separa a vida da morte nesse caso é a corda. Você confia sua vida em uma corda? " Se for pra pensar assim a gente não faz nada da vida. Eu não confio nos outros motoristas na estrada e nem por isso deixo de viajar. Viver é perigoso e a gente tem que arriscar pra ter graça. E se tiver esse único poder também, será que basta? Quando eu começo a pensar em qual eu quero parece que não consigo me decidir e fico querendo todos. Eu achei muito sem graça o menino de Heroes que respirava em baixo d'água, tanto poder legal e ele vai respirar em baixo d'água? Eu queria ter o poder de pegar o poder das pessoas com poder. Uai, eu já devo ter esse poder o problema é que não conheço ninguém com poder. GÊNIA. Pensa se um engraçadinho tem o poder de voar e resolve fazer coco nos outros. Desnecessário né? Ai, gente tudo que eu penso eu falo, ou quase tudo.  Pensando nisso, sorte que o mamute não conseguiu voar e acabou que quem virou merda foi ele. Eu adorava essa musiquinha. Muito educativa. O sonho de quase toda criança é voar e muitas chegam a tentar. Se elas ouvem que o mamute tentou e virou merda talvez elas não tentem. Eu acho que nunca tentei, era uma criança imaginativa, mas era esperta. Se eu não tinha asa eu não voaria né? Tão simples. Nunca fui pro hospital, nunca dei ponto, nunca quebrei nada. Eu zuava falando que toda criança lesada tem ponto no queixo. Isso porque quase todas minhas amigas tinham.
Um poder que eu nunca quis ter é ver o futuro. Eu morro de medo dele. Nos meus planos tudo é idealizado, tudo é perfeito e se eu visse que a realidade não é bem assim eu desiludiria e minha vida deixaria de fazer sentido. Curiosidade eu tenho e muita ,só que o medo é muito maior. Outra coisa que não queria era ler pensamentos.Seria bom só pra trapacear, colar na prova, ganhar dinheiro, essas coisas típicas, ou simplesmente não perder oportunidade tipo aquele menino lindo que você acha que nunca olharia pra você e descobrir que ele só é tímido (vai sonhando hahahaha ). Só que pensa você descobrir o que as pessoas pensam de você, que tragédia.Tem hora que é melhor permanecer na ignorância. O ignorante é mais feliz. "O homem é ator social" o pensamento dele não é. Saber o que as pessoas pensam ia ser frustrante, uma decepção atrás da outra e minha vida viraria um inferno a não ser que eu fosse pra montanha criar ovelhas. Que tédio. Tem gente que fala que não liga pro que os outros pensam... que mentira, todo mundo liga.Prefiro viver iludida e feliz.
Eu tenho uma solução. Vou ser rica e linda. Assim eu consigo tudo o que eu quero. Um mordomo que pegue o meu controle remoto ou uma tv que funcione com comando de voz. Vou poder entrar onde eu quero porque dinheiro não é problema. Saltar de bunge jump e pára quedas com os melhores equipamentos que tiver. Voar o mundo inteiro no meu jatinho com tanto conforto que nem vou querer chegar rápido aos destinos. Não vou precisar ver o futuro porque já vou ter certeza que é lindo e nem querer saber o que pensam de mim porque a maioria vai fingir me amar e me odiar por dentro e eu vou fingir acreditar. Aí eu fico com meus amigos de hoje mesmo, aqueles que me amam mesmo feia e pobre.

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